A Jornada de Um Desenvolvedor de Jogos: Lições de Resiliência e Sonhos Guardados

Na minha infância, eu ouvia alguns ditados populares, como “o olho do dono que engorda o negócio” ou “se quer algo bem feito, faça você mesmo”. Claro que esses ditados talvez fizessem sentido na época, mas hoje me pergunto se realmente ainda fazem.

Logo após terminar o ensino médio, eu queria fazer uma faculdade, mas não queria seguir o que era comum, como medicina, direito ou administração. Posso dizer que, naquela época, essas eram as profissões mais mencionadas como caminho para o sucesso profissional, que poderia chegar, mas não para todos.

Foi então que ouvi no rádio uma propaganda de um vestibular para uma faculdade, cujo nome vou preservar, pois não foi a faculdade em que me formei e não quero divulgá-lo; afinal, nem sei se ela ainda existe. Na propaganda, falavam sobre diversos cursos, e um deles me chamou a atenção: o de desenvolvimento de jogos.

Na minha cabeça, pensei: “Finalmente vou criar meu próprio Mario, vou dar vida aos meus mundos e universos”. Então, me inscrevi, fiz a prova e comecei o curso tecnólogo de 4 anos. Estava vislumbrando que, em 4 anos, estaria no mercado de jogos criando meus próprios jogos. Doce engano.

Confesso que a faculdade nos proporciona uma visão do que é criar um game, pois passamos por diversas matérias que dizem respeito às áreas de desenvolvimento de games: 3D, arte digital, programação, software para criar músicas, etc. Porém, com o tempo, fui notando que tudo isso era superficial e que muitas dessas coisas poderiam ser encontradas na internet. E cá entre nós, aprender a usar um software de música não nos faz músicos.

Depois de um tempo, eu e meus colegas nos mudamos para outra faculdade devido a problemas na anterior, e aí as coisas mudaram. Agora, tínhamos um cronograma claro do que iríamos ver e professores que atuavam em suas áreas de ensino. Pode não ter sido especificamente com jogos, mas eles estavam no mercado, seja de programação ou 3D.

Nesse momento, começamos a dar vida a alguns projetos que, infelizmente, não viram a luz do dia, mas nos organizamos como equipe ou como desenvolvedores solo. O que seriam 4 anos já berrava 5, e isso ia me desgastando. Eu não tinha mais interesse em produzir um projeto, só queria me formar logo e seguir minha vida.

Depois de formado, não trabalhei com desenvolvimento de games, mas atuei como desenvolvedor de sites e sistemas, e também como produtor de conteúdo para nosso portal de notícias.

Com o tempo, a ideia de fazer jogos foi desaparecendo, tornando-se apenas um sonho. A preocupação em trabalhar era grande, mas ainda participei de 3 estúdios independentes como analista de marketing. Contudo, não foi muito pra frente por vários fatores conflitantes, mas podemos dizer que o maior deles era a falta de remuneração.

E cá entre nós, sem grana e sem ser um projeto que você ajudou a idealizar, não se sustenta por muito tempo, pois ali eu estava vivendo o mesmo que quando trabalhamos como CLT: estamos trabalhando para que o sonho dos outros se torne realidade, mas sem a parte em que recebemos por isso.

Mas, depois de 11 anos de formado, o sonho bateu em minha porta, e eu criei meu primeiro jogo, o Obrio, um clone do Flappy Bird, porém com meu próprio personagem e algumas diferenças em relação a itens coletáveis.

E graças a ele, estou milionário e aposentado, “MODO IRONIA”. Talvez essa seja a esperança de quem começa a criar jogos, achar que vai criar um jogo e ter o mesmo sucesso que jogos como Stardew Valley ou Undertale, que são jogos de enorme sucesso criados por desenvolvedores solos.

Mas não se engane, meu caro: você pode sim criar um game que seja um sucesso, mas da mesma forma, pode nunca criar esse jogo. Principalmente se você for um dev solo, onde você vai criar a arte, a música, o game design, a narrativa, o marketing. Sério, ser dev solo significa ser o faz-tudo, e no final ainda ter a sensação de que não fez nada. Mas posso garantir que será um grande aprendizado passar por esse desafio.

Hoje, estou criando jogos, mas minha ideia de criar um Mario ou dar vida ao meu universo está guardada. Meu objetivo é criar jogos de escopo pequeno para finalizar aquilo que comecei, porém, em cada projeto, coloco algo do meu universo, esperando que, ao final, eu consiga dar vida a esse universo que foi criado nas mesas de RPG.

Não acho que ficarei milionário criando jogos, e você também não deveria achar isso. Apenas acredite que criar jogos é uma forma de se divertir em um processo de aprendizado, e o que vier com isso sempre será lucro. Afinal, conhecimento não tem preço.

Mas um ponto bem importante: apesar de eu estar falando de jogos, isso se aplica a qualquer área de atuação. Se você tem um sonho guardado, corra atrás dele, mas não largue tudo para correr atrás de um sonho, pois a frustração pode ser maior. E se der certo, aí sim vale a pena largar tudo e investir ainda mais no seu sonho. O que não vale é deixá-lo na gaveta e nunca saber se aquela ideia poderia ter sido algo bom ou não.

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